Carta Aberta à Direcção da EGEAC

Lisboa, Maio de 2019

 

 

O Cinema S.Jorge tem 69 anos de história.

É assumido por V.ª Ex.ª como um cinema do presente, e com olhar para o futuro, fazendo da sua história um património vivo da cidade de Lisboa.

Porém, um cinema não é apenas uma sala com lugares sentados.

Desde que o cinema se inventou que é necessário apagar as luzes para que a imagem se projecte, e é necessário que a sala onde se projecte tenha condições para que tal seja possível. Sempre foi e sempre o será.

 

Mas são já anos e anos os que passam, em que as projecções em ambas as salas do Cinema
S. Jorge, sobretudo na que foi denominada com o nome maior do cinema português – Manoel de Oliveira- , carecem de qualidades mínimas para a projecção de cinema.

 

Ao longo desses anos, inúmeras foram as horas em que projeccionistas e realizadores, directores de fotografia, directores de som, produtores, tentaram lutar contra as obsoletas máquinas de projecção de imagem e sistemas de som para tentar mostrar o filme o melhor possível ao público. Infelizmente o resultado, por muita luta que se faça, é sempre catastrófico.

 

Inúmeras foram as reclamações, os avisos, os pedidos de atenção, aos quais a resposta foi sempre atirada para os técnicos de sala, desresponsabilizando os verdadeiros responsáveis – a empresa municipal que mantém e dirige o Cinema São Jorge, que assina protocolos com os festivais de cinema e cobra bilhetes de entrada, a empresa municipal que anuncia o São Jorge como a Casa do Cinema Português.

 

Não é possível apresentar uma ópera numa sala sem acústica para tal. O mesmo se passa na música. Quando vamos a uma galeria ou a um museu ver determinada pintura, necessitamos de iluminação para que seja possível vê-la.

 

Como tal, é inadiável resolver o problema de anos desta sala. O público que se desloca ao Cinema S.Jorge tem o direito de ver e ouvir o filme a que se predispôs assistir, e não uma espécie de borrão ao som do que as colunas naquele dia decidam reproduzir. As pessoas que fizeram esse determinado filme, não fizeram esse borrão, não construíram esse som. O que está a ser mostrado ao público são filmes que não existem. São acasos construídos pelo próprio sistema de projecção. São atentados às obras, aos autores, e ao direito básico dos cidadãos de usufruírem da cultura e arte em condições de dignidade.

 

Assim, consideramos obrigatória uma imediata mudança nos equipamentos de projecção de imagem e som, mesmo que isso obrigue a reformulações da própria sala. Caso contrário corremos o risco de não estarmos a viver o presente, nem estarmos a pensar o futuro – estamos a potenciar junto do público o descrédito nos filmes a que assiste e a incentivar a que não regressem ao Cinema São Jorge, mesmo a que não frequentem cinemas ou os filmes que lá se mostram.

 

Pedimos que respeitem o trabalho dos profissionais de cinema, e sobretudo que respeitem o público que se senta no Cinema São Jorge. Só com respeito conseguimos viver numa cidade que se propõe ser uma das cidades mais competitivas, criativas, inovadoras- e tantos outros mais adjectivos – da Europa.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

 

Os Signatários

 

APR – Associação Portuguesa de Realizadores
CENA-STE, Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e
dos Músicos
MOSCA – Movimento dos Operadores de Som no Cinema e Audiovisual
PCIA – Produtores de Cinema Independente Associados
Doclisboa – Festival Internacional de Cinema
IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema
Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer

 

Ágata Pinho (actriz)
Alexander David (actor)
Amarante Abramovici (realizadora)

Ana Brandão (actriz)
Ana David (programadora)

Anabela Moreira (actriz)
André Albuquerque (actor e dirigente do CENA-STE)

André Gil Mata (realizador)
André Godinho (realizador)

André Guiomar (realizador)

André Marques (realizador)

André Santos (realizador)

André Sarmento (realizador)
André Silva Santos (assistente de realização)

André Valentim de Almeida (realizador)

Andreia Bertini (colorista)
António Porém Pires (montador e misturador de som)

Anze Persin (produtor)
Armanda Carvalho (som para cinema e audiovisual)

Aurora Ribeiro (realizadora)

Aya Koretzky (realizadora)
Bárbara Rosa
Bernardo Theriaga (montador e director de som)

Bruno de Almeida (realizador)
Carlos Nogueira (programador)
Catarina Barata (antropóloga e videasta)

Catarina Campos Sousa (estudante de cinema)
Catarina Monteiro (directora de comunicação galeria zé dos bois)

Catarina Mourão (realizadora)
Catarina Vasconcelos (realizadora)

Cedro Plátano (produtora de cinema)

Celeste Alves (directora de produção)

Cláudia Alves (realizadora)
Cláudia Sobral (jornalista)

Cláudia Varejão (realizadora)

Diana Degues (produtora)

Diogo Pereira (realizador)

Diogo Varela Silva (realizador)
Duarte Ferreira (director de som)

Dulce Fernandes (realizadora)
Elsa Ferreira (montadora e misturadora de som)

Ernesto Rodrigues
Felipe Emanuel Rita de Andrade (estudante de cinema)

Filipa César (artista e realizadora)
Filipa Reis (realizadora e produtora)

Filipe Araújo (realizador)
Flávio Gonçalves (vigilante de cinema)

Francisco Ferreira (crítico de cinema)

Francisco Oliveira (professor de filosofia)

Francisco Valente (realizador)
Frederico Mesquita (realizador)

Gil Amado
Guilherme Daniel (director de fotografia)

Guilherme Peleja (operador cultural)

Helena Fagundes (sonoplasta)

Herberto Magalhães (técnico de som)

Ico Costa (realizador)
Isabel Machado (produtora)

Isabel Teixeira (montadora)

Ivo M. Ferreira (realizador)

Jeanne Waltz (cineasta)
Joana Cunha Ferreira (realizadora)

Joana Neves de Sousa (programadora)
Joana Sant’ana (Programação e Exposição da Cinemateca Portuguesa)

João Braz (montador)
João Canijo (realizador)
João Gazua (director de som)

João Mário Grilo (realizador)
João Miller Guerra (realizador, productor)

João Nicolau (realizador)
João Pedro Rodrigues (realizador)

João Raposão
João Ribeiro (director de fotografia)

João Salaviza (realizador)
João Viana (realizador, produtor)

Joaquim Pavão (realizador)
Joaquim Pedro Pinheiro (assistente de produção)

Jorge Jácome (realizador)
Jorge Silva Melo (realizador)

José Filipe Costa (realizador)

Júlio Alves (realizador)
Laura Gama Martins (montadora)
Leonor Teles (realizadora, directora de fotografia)

Leonor Noivo (realizadora, produtora)
Luciana Fina (realizadora)

Luisa Homem (realizadora)

Luís Urbano (produtor)
Mafalda Roma (directora de som / formadora de som para cinema)

Mafalda Salgueiro (artista)
Marcelo Tavares (director de som)

Marco Leão (realizador)

Margarida Cardoso (realizadora)

Margarida Gil (realizadora)

Margarida Leitão (realizadora)

Margarida Rêgo (realizadora)

Margarida Teles (produtora)
Maria Pires (assistente de realização)

Maria Prata (Professora)
Mariana Gaivão (realizadora, montadora)
Mariana Santana (Estudante de Cinema na ESTC)

Mariana Teixeira
Marta Simões (directora de fotografia)
Maureen Fazendeiro (realizadora e argumentista)

Miguel Clara Vasconcelos (realizador)

Miguel Freitas (operador de câmara)
Miguel Gaspar (técnico de audiovisuais)

Miguel Gomes (realizador)
Miguel Martins (director de som e misturador)

Miguel Moraes Cabral (realizador e director de som)
Miguel Ribeiro (programador)

Mónica Lima (realizadora)

Mónica Nunes (artista visual)

Nathalie Mansoux (realizadora)

Nuno Gonçalo Bento (foley artist)

Olivier Blanc (director de som)

Paulo Abreu (realizador)
Paulo Carneiro (assistente de realização)

Paulo Cunha (professor de cinema)

Paulo Filipe Monteiro (realizador)
Paulo Lima Pedro Anacleto
Pedro Cabeleira (realizador)

Pedro Cerejo (tradutor)

Pedro Caldas (realizador)
Pedro Fernandes Duarte (produtor)
Pedro Filipe Marques (realizador e montador)

Pedro Góis (misturador de som)
Pedro Melo (director de som)

Pedro Neves (realizador)

Pierre Primetens (realizador)
Rafael Gonçalves Cardoso (montador e misturador de som)

Raquel Rolim Batista
Renata Sancho – realizadora

Ricardo Costa – realizador-produtor
Ricardo Lameiras (assistente de imagem)

Ricardo Simões (assistente de imagem)

Ricardo Vieira Lisboa (crítico e programador)

Rita Azevedo Gomes (realizadora)
Rita Campos Brás (realizadora)

Rita Lamas (colorista)
Rita Thomaz (artista plástica)
Rui Alves de Sousa (assistente de produção)

Rui Teigão (técnico superior – Dgartes)
Rui Xavier (director de fotografia)

Samuel Andrade (blogger de cinema)

Sofia Bost (realizadora)
Sofia Marques (actriz, realizadora)

Susana de Sousa Dias (realizadora)

Susana Nobre (realizadora)
Tania Dinis (realizadora)

Teresa Vieira (jornalista)

Teresa Villaverde (realizadora)